sábado, julho 15, 2006

O pioneirismo de Marina

Com ousadia e determinação, a cantora mudou o estilo da música gospel brasileira

A primeira vez que a cantora Marina de Oliveira cantou um louvor foi no dia 10 de dezembro de 1985, no culto em ação de graças pelas Bodas de Prata de seus pais, o deputado federal Arolde de Oliveira e Yvelise de Oliveira, há 20 anos. O local foi a Primeira Igreja Batista de Niterói (RJ), e a música, “Autor da Minha Fé”. Esse talvez tenha sido o dia mais importante de sua vida, pois ela afirma que sua conversão genuína aconteceu enquanto cantava. “Fui como que atingida por um raio. Quando olhei para dentro de mim, me arrependi de muitas coisas que havia feito”, conta Marina, que havia sido batizada três anos antes.

De acordo com o pastor Nilson Fanini, que dirigia a PIB de Niterói na época, “Marina cantou de uma maneira tão linda que parecia um anjo”. A partir daí, a vida da cantora tomou um rumo que nem ela esperava. Aos 26 anos, já tinha cursado parte da faculdade de Engenharia, havia começado Publicidade e tinha muitos planos profissionais. Mas, como ela mesmo relata, se viu completamente apaixonada por Jesus e pronta para se entregar ao ministério por inteiro. E foi exatamente isso que aconteceu. “Foi uma paixão profunda por Jesus. Esqueci da minha vida. Só cantava, de domingo a domingo”. Pastor Fanini também recorda este início: “Não havia distância para ela. Às vezes, ministrava em três igrejas no mesmo dia. Deus viu isso e abençoou ricamente o seu ministério”. Ele também reconhece a capacidade da MK de trabalhar com qualidade e montar uma boa equipe. “Eles arrumaram um bom time em todas as áreas da comunicação”.


Inovação na música gospel

Mas o chamado de Marina de Oliveira foi muito além do que se pode imaginar. Além dos ritmos incomuns para a época e o estilo de roupa que implementou, sua forma de ministrar era única. A liberdade na adoração, as danças e coreografias (hoje já tão comuns) se devem em parte à visão futurista de Marina e demais cantores que adotaram o seu estilo. “Deus não é estático, Ele se move. Os cantores não se moviam no púlpito, e aquilo me incomodava. Quando começo a falar de Deus, tenho vontade de andar de um lado para outro”. Marina lembra que em algumas igrejas teve de trocar de roupa antes de cantar, porque as pessoas ainda resistiam às novidades trazidas por ela. No entanto, reconhece que isso a fez crescer e se fortalecer. Era um tempo novo de Deus para uma geração de novos louvores.
Carlinhos Felix, então vocalista do Rebanhão, outro ministério que enfrentou críticas por introduzir no meio evangélico ritmos como rock e baião, lembrou que o início de tudo foi muito difícil. “Assim como a Marina, apostamos em algo diferente e pagamos um preço. Nossas letras falavam dos sentimentos de forma transparente, impactando as pessoas, sob uma visão evangelística”, relata.
Outro paradigma modificado foi o da qualidade musical. O cuidado pela obra e determinação de Marina de Oliveira imprimiram um novo padrão técnico que reverberou por todo o segmento. E sua ousadia levou a música gospel a lugares até então nunca imaginados, como Canecão, Imperator, Metropolitan/Claro Hall, Quinta da Boa Vista, Apoteose, o que acabou também mudando o perfil dos eventos evangélicos, abrindo novos canais para o evangelismo.

O teste que deu certo

Marina começou cantando apenas duas músicas nas igrejas, até que o álbum Imenso Amor fosse lançado. Como trazia uma proposta moderna de adoração, o LP não foi muito aceito. E foi através da abertura dada pela rádio Melodia (RJ) que as músicas começaram a ser divulgadas e conhecidas, inaugurando um novo tempo na música gospel nacional. “Eu vi a MK nascer e crescer. A música ´Faça Um Teste` tocou pela primeira vez na Melodia e foi um grande sucesso”, afirmou Francisco Silva. O primeiro LP foi produzido por Eudes Jansen, então maestro na PIB de Niterói. Sobre a participação no início do ministério de Marina, Eudes declarou que “Deus foi muito bom comigo ao ter aberto essa porta maravilhosa de produção, estúdio, arranjos e direção através da vida da Marina. Sinto um orgulho santo por ter feito parte dessa história”.
Nasce a MK

Para estruturar a distribuição e vendas do primeiro LP de Marina de Oliveira, foi criada a MK Publicitá, hoje MK Music (uma das empresas do Grupo MK de Comunicação). Quem também participou ativamente desta fase foi o cantor João Marcos e a cantora Cassiane, primeiros contratados da gravadora. João Marcos, no estilo tradicional, e Cassiane, bem pentecostal, foram também grandes novidades no mercado gospel. Amigo de Marina, João Marcos gravou duas canções em dueto no segundo disco da cantora. “Na gravadora, aprendi como me portar diante de uma igreja. Agradeço muito a Marina pelo que me ensinou”. Já Cassiane declara: “Cresci com a MK e hoje fico feliz em ver como ela se expandiu na divulgação da música gospel”.
Fonte: Grupo MK de Comunicação - Revista Enfoque Gospel
Fotos:
- Marina de Oliveira www.marinadeoliveira.com.br e outras cedidas por Luiza Gerk