domingo, julho 16, 2006

"O Mercado Gospel não entra em Crise"

O Blog MarinaNews tem o prazer de publicar uma entrevista exclusiva com Marina de Oliveira, realizada por Débora Branquinho. Essa é exclusiva, e você só confere aqui!

“O MERCADO GOSPEL NÃO ENTRA EM CRISE”
Por Débora Branquinho

A MK é uma das principais responsáveis pelo crescimento da música evangélica no Brasil. A gravadora completará 20 anos em abril de 2007 e detém 70% das vendas do mercado fonográfico brasileiro no gênero religioso. Durante esses 20 anos, a MK ganhou um amplo espaço no mercado. Lançou mais de 70 artistas e formou grandes nomes da música evangélica, como por exemplo, Kleber Lucas, Fernanda Brum e Cassiane. Além de gravar e distribuir os CDs e DVDs de cerca de 40 artistas exclusivos, o grupo MK de comunicação também possui um site de notícias - http://www.elnet.com.br/ - uma revista de distribuição nacional – Enfoque gospel - um programa de televisão – Conexão gospel - que vai ar todo domingo na Rede TV!. O programa possui clipes musicais e entrevistas com os artistas contratados da MK. A empresa também tem uma rádio FM estéreo que transmite música evangélica 24 horas.
Marina de Oliveira é empresária, uma das sócias da MK, diretora artística e uma das primeiras a fazer show gospel em casas como o Canecão, Imperator, Metropolitan – hoje Claro hall. Também é responsável pela produção de grandes eventos como “os cantas”: shows que reúnem, em média, 150 mil pessoas em lugares públicos como a praia de Copacabana, Quinta da Boa Vista e Praça da Apoteose. Marina também dirigiu a gravação de DVDs, como por exemplo, o da cantora Fernanda Brum. Pela primeira vez a Via Show, uma casa de eventos no Rio de Janeiro, abriu as portas para um evento evangélico. A gravação que aconteceu em julho de 2004 reuniu mais de 7.500 pessoas e rendeu um DVD de ouro à cantora, o primeiro no gênero religioso.
Nessa entrevista, na sala de sua casa, Marina de Oliveira, fala um pouco sobre a trajetória da MK, as características da música evangélica e o seu crescimento ao longo dos anos.

A MK começou como uma empresa de publicidade, como surgiu a idéia de lançar cantores no mercado gospel?

Marina: Na verdade, a intenção da MK não era uma empresa de publicidade e sim ter um registro para lançar um LP da única cantora até o momento, Marina de Oliveira. Os outros cantores foram surgindo com os amigos. Se um amigo cantava bem, gravava o disco. Depois os amigos saíram e foram chegando os cantores que realmente tinham carisma. Hoje, já não existem mais os amigos, mas pessoas com verdadeiro talento.

A associação brasileira produtora de discos (ABPD) aponta o gênero religioso como segundo lugar de vendas. A que você atribui esse estouro da música evangélica?

Marina: O mercado evangélico não entra em crise e não utiliza o modismo. Se hoje, um ritmo está na moda, as pessoas gostam daquele ritmo por causa da moda e daqui a uns anos não gostam mais. A música gospel não tem isso. O público evangélico gosta de ter os CDs em casa porque são músicas que falam a linguagem deles, aquilo que eles precisam ouvir. O CD e o DVD são produtos supérfluos. Se alguém tiver que escolher entre comprar o arroz e o CD, ela vai comprar o arroz. Isso não acontece com a música gospel, pois o nosso público, classes C e D, já está acostumado a todo mês separar um dinheirinho para a compra do CD gospel. Além disso, quando uma pessoa se converte a religião, ela quer ter todos os CD evangélicos em sua casa, por isso ela compra vários de uma vez. Nós tivemos um aumento de mais ou menos 30% na vendas, enquanto os outros gêneros tiveram uma queda de mais ou menos 10%.

Qual a diferença da música evangélica de anos atrás para a de hoje?

Marina: A qualidade da música era muito baixa, as gravações não eram boas. Era uma música rudimentar, se é que eu posso usar essa palavra. Hoje os cantores são talentosos e tem uma boa voz. Até porque, nos dias de hoje, para cantar musicas evangélicas precisa ter uma excelente voz já que não se pode usar os artifícios do corpo e de roupa, como um shortinho curto.

Como você vê a inserção de novos ritmos no mercado evangélico?

Marina: Eu acho ótimo. Todos os ritmos foram criados por Deus. Isso é uma estratégia de evangelismo. Eu por exemplo, não gosto de samba. É questão de gosto, cada pessoa tem o seu ritmo preferido. Se eu te perguntar, com certeza, você vai me dizer um ritmo de sua preferência. Eu não vou conseguir alcançar com samba alguém que gosta de rock, por exemplo. Eu preciso usar todos os ritmos para chegar a todos os tipos de pessoas.

A MK produz eventos de grande porte, como por exemplo, “os cantas”: Canta Brasil, Canta Rio... Como surgiu a idéia de realizar esses eventos?

Marina: Ihhhhhhhhhh isso é muito, muito, muito antigo. É de 1900 e antigamente. Nós queríamos fazer um evento. Foi engraçado porque todos os cantores queriam se apresentar e ficava uma fila enorme de cantores para entrar no palco e demorava muito. As pessoas gostam, pois é uma forma de aproximar o público do cantor. O CD permite somente a audição, é um objeto. Em um show você tem a oportunidade de ver o cantor um pouco mais próximo, ainda que esteja lá no final e veja bem de longe, no caso de shows com 40 mil, 50 mil pessoas.

Quais suas expectativas para o mercado da música gospel daqui para frente?

Marina: Nós temos um projeto de gravar um CD em espanhol. Está participando desse projeto Kleber Lucas, Fernanda Brum, Nadia Santolli, entre outros. É muito complicado competir com o mercado internacional, americano principalmente e latino americano. Eles já têm o espaço deles muito bem conquistado, muito bem estruturado. Nós queremos alcançar os de língua espanhola, não para tomar o espaço deles, mas para mostrar o nosso trabalho e conquistar um espaço novo.
E pro Brasil eu desejo uma geração de menos artistas e mais adoradores. Não sei se quem tiver lendo vai entender, mas eu quero pessoas que adorem a Deus e se comportem com menos estrelismo.
Este material como já foi dito no início desta publicação é uma entrevista realizada por Débora Branquinho, aluna do curso em graduação de Jornalismo na Univercidade Estácio de Sá (RJ).